A UEG e um projeto democrático e popular para Goiás

* João Felipe Fleming

A crise capitalista (oriunda da contradição entre a capacidade cada vez maior da produção social, frente à capacidade efetiva de consumo da sociedade) exige que rediscutamos os marcos de um novo modelo de desenvolvimento para o país e para o Estado de Goiás.

Somado a isso, os anos neoliberais foram duros com Goiás e com o Brasil. A capacidade de indução do desenvolvimento por parte do Estado foi amplamente desarticulada pelo neoliberalismo e setores como a educação, previdência, logística, energia e infraestrutura e as empresas estatais foram sucateados e privatizados.

Os movimentos sociais, em descenso, sofriam cotidianas perseguições e retaliações por parte dos governos tucanos e da grande Mídia. Os partidos socialistas e de esquerda, concentrados na estratégia eleitoral e institucional, acompanharam o avanço de concepções imediatistas e moderadas sobre a esquerda brasileira, tendo como conseqüência o rebaixamento do norte estratégico dos partidos de esquerda de maior expressão no País.

Apos os quase 7 anos de governo LULA podemos ver uma mudança significativa nos efeitos causados pelo neoliberalismo. A opção acertada feita pelo Governo Lula, de substituir o tema do “ajuste fiscal” pelo desenvolvimento, contribuiu para retomarmos um novo ciclo de desenvolvimento, a partir da recuperação da indústria nacional, da geração de empregos formais, dos programas sociais e do aumento real do salário mínimo, alem de iniciativas importantes democratização política e diálogo permanente com a sociedade civil pelas conferências nacionais.

Alem disso, políticas de recomposição da capacidade de investimento e planejamento do Estado, como o fortalecimento da Petrobras, dos Bancos Estatais (BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), investimentos no sistema federal de ensino superior e profissionalizante, o PAC e o recente programa habitacional “Minha Casa Minha Vida”, entre outros, demonstram claramente um avanço.

Contudo, não basta apenas adotar o discurso do desenvolvimentismo tradicional como sinônimo de avanço. Historicamente o desenvolvimentismo combinou crescimento econômico e a fortalecimento da estrutura social excludente e conservadora existente no Brasil, tanto nos anos Vargas, JK e na Ditadura Militar.

É necessário um desenvolvimento Democrático-Popular com um horizonte socialista, combinando reformas estruturantes, que combatam o capital financeiro, os monopólios, o latifúndio (Reforma Agrária, Reforma Urbana, Taxação das grandes riquezas, Aumento no índice de produtividade rural, TV Publica e fim do monopólio Global e etc.), com radicalização da democracia através da democratização da propriedade, dos meios de comunicação e outros métodos de controle social e participação popular (a exemplo de uma Constituinte Exclusiva para uma reforma política que garanta votação em lista e financiamento publico de campanha, além de outros temas importantes).

Nesse contexto, a educação superior assume uma importância estratégica para o estado de Goiás. Após os 10 anos de ingerências e descompromisso por parte dos Governos desde a fundação da Universidade Estadual de Goiás - seja no Governo Marconi do PSDB ou na política de continuidade do Governo Alcides do PP- um novo modelo político e acadêmico para a UEG é prioridade imediata na agenda do próximo governo.

As precárias condições de trabalho do corpo permanente; a insuficiência do financiamento; a fragilidade e a instabilidade institucional e as ingerências praticadas na universidade; a inexistência de uma política de assistência estudantil são alguns desafios a serem superados para consolidação da universidade.

O povo goiano, a comunidade acadêmica da universidade e do estado não aceitam mais desculpas superficiais quanto às deficiências da UEG. A cada dia mais e mais professores saem da instituição em busca de melhores condições de trabalho nas universidades federais e IFET`s. É necessário o aumento de 2% para 5% do ICMS do Estado para manutenção do tamanho da UEG com a garantia da qualidade, concurso publico, política de assistência estudantil, paridade nas eleições e órgãos colegiados alem de outras medidas.

Não podemos também ter a ilusão que mudanças irão acontecer vindo de cima, pois, quando assim acontecem, essas mudanças vem para pior. Apenas a luta dos movimentos de educação, em especial do movimento estudantil poderá definir o futuro da universidade, e transformar a UEG em uma universidade de verdade, a serviço dos interesses democráticos e populares.

Por isso, está na hora de lutarmos por um modelo de desenvolvimento Democrático e Popular para Goiás, assim como uma UEG Democrática e Popular para o Povo Goiano!

João Felipe Fleming é acadêmico de Engenharia Agrícola – UEG / UnUCET e militante da Articulação de Esquerda – corrente interna do PT - e da tese Reconquistar a UNE

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