Reconquistar a UEE-MG para a luta e para os/as estudantes

* Guilherme Guimarães de Azevedo e Vinicius Fuzeti

No último dia 04 de setembro foi empossada a nova gestão da União Estadual dos Estudantes – UEE/MG – na cidade de Belo Horizonte. A nova gestão terá vários desafios para os dois anos que seguem, seja nas pautas específicas do Movimento Estudantil (ME), seja nas pautas gerais enfrentadas pelos movimentos sociais brasileiros e mineiros.

A posse marcou o retorno do campo “Reconquistar a UEE-MG para a luta e para os/as estudantes” à Diretoria da UEE, na Diretoria de Movimentos Sociais e de 1º de Políticas Educacionais.

Em um momento de uma crise profunda do capitalismo, em que a classe dominante quer socializar os prejuízos com o povo é preciso garantir mobilização massiva da juventude ao lado da população oprimida. Numa conjuntura de implementação de programas educacionais, de intenso debate sobre a Conferência Nacional de Educação e Conferência Nacional de Comunicação, da luta por soberania dos países da América Latina e da disputa dos lucros advindos do petróleo da camada do pré-sal, a UEE deve cumprir papel ativo na organização d@s estudantes mineir@s.

Defendemos dessa forma uma profunda democratização da entidade estadual para que ela assuma o seu papel histórico de tornar o ME num forte movimento de massas capaz de transformar a Universidade e o nosso país. Disputamos as posições da UEE, porque acreditamos que nossa entidade pode cumprir um papel ainda mais ativo na organização dos/das estudantes.

Não compartilhamos da posição de setores minoritários do movimento estudantil que passaram a defender o rompimento com as entidades históricas estudantis. A divisão dos movimentos sociais, além de não solucionar nenhum dos problemas hoje para a nossa luta, enfraquece o nosso poder de enfrentamento contra os nossos verdadeiros inimigos, acirra nossas disputas internas e semeiam o descrédito das entidades representativas.

Além disso, é de extrema importância que os movimentos sociais tenham autonomia para que possam ter a maturidade de poderem apoiar ou não as políticas educacionais do governo. Não podemos ser irresponsáveis, como muitas forças do ME, e sermos automaticamente favoráveis ou contrários às políticas governamentais. Necessitamos de um tom crítico e a maturidade para assumirmos uma posição que fortaleça as pautas históricas do movimento estudantil na construção de uma Universidade Democrática e Popular.

Optamos pela construção da UEE por entender que ME deve ser um movimento de massas, em que tod@s possam fazer parte, propor e construir. Ter essa postura não é se tornar refém da política moderada da maioria da UEE, mas é optar pela disputa de opinião de um conjunto maior de estudantes e entidades estudantis.

Reivindicamos uma UEE mais combativa, orientando a ação do ME nas universidades, com maior presença, capilaridade e força social. Para que isso se transforme em realidade é preciso: 1) Democratizar a entidade, propondo outros métodos de direção e condução política; 2) Articular a rede do movimento estudantil (CA’s, DA’s, DCE’s e Entidades de Curso); 3) Fortalecimento dos laços do movimento estudantil com os movimentos sociais.

É preciso que a UEE paute durante esses dois anos de gestão a luta por uma Universidade Democrática e Popular, priorizando a disputa que realmente gere transformações estruturais significativas para a sociedade, como: 1)Democratização do Acesso; 2) Garantia de Permanência; 3) Autonomia e Democratização da Universidade; 4) Revolução Pedagógica; 5) Combate a todas as formas de opressão.

Assumiremos, com isso, na cadeira de movimentos sociais a disputa por uma UEE mais presente nas ações conjuntas com essas organizações sociais, parceiros estratégicos na disputa da sociedade e também da educação. É um início de articulação, e já nos inserimos na construção do Seminário de Educação no Campo e do Seminário de Questão Agrária na Universidade Federal de Viçosa juntamente com outros atores sociais e a Assessoria de Movimentos Sociais da UFV (Assessoria essa que foi uma conquista também do ME viçosense). Construiremos ainda o XIII Estágio Interdisciplinar de Vivência Regional da Zona da Mata, em parceira com organizações estudantis, o Centro de Tecnologias Alternativas (CTA-ZM), e movimentos sociais campesinos.

Na diretoria de Políticas Educacionais a prioridade é questionarmos o Método Pedagógico utilizado nas Universidades Públicas, debatendo o tecnicismo, a meritocracia, o autoritarismo e a profissionalização mercadológica, características de um Ensino conservador e subserviente ao capital privado. É necessário questionarmos os métodos de aprendizagem e de avaliação, propondo um modelo libertador e que paute na construção e interação sem hierarquia entre os/as estudantes e professores( as). Imprescindível será debatermos a relação entre Pesquisa e Extensão e as Empresas Privadas, discutindo o direcionamento dos temas e a apropriação do conhecimento produzido pela iniciativa privada. Além disso, é necessário destacar a importância da política de Assistência Estudantil para garantir a tod@s as condições dignas para estudar, pesquisar e ser extensionista.

Assim sendo, a UEE precisa estar presente nas lutas travadas dentro das universidades, mas precisa também realizar campanhas e seminários, não só para formação política, mas para unificar as pautas dos diversos movimentos somando forças na luta pela transformação da sociedade e cumprindo seu papel junto do povo mineiro, em específico contra o desmonte e sucateamento da esfera pública provocado pelo atual Governador Aécio Neves.

Para além de nossas reivindicações, precisamos de uma UEE mais ousada e combativa! Uma entidade séria que se comprometa não apenas com suas bandeiras, mas que atue em conjunto com todos os segmentos comprometidos na luta contra a ordem estabelecida, na busca de uma sociedade justa e livre de todas as formas de opressão.

Da mesma forma “que Minas são muitas”, são muitos os desafios e grande a travessia. Convidamos tod@s a serem protagonistas e seguirmos junt@s nessa caminhada.

Guilherme Guimarães de Azevedo (guil_guima@yahoo. com.br) é Diretor de Movimentos Sociais UEE-MG e Vinicius Fuzeti (fuzeti@yahoo. com.br) é 1º Diretor de Políticas Educacionais UEE-MG

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