É hora da UNE nas ruas

* Tássio Brito

 

No dia 12 de agosto tomou posse no auditório da Câmara dos Deputados, a nova diretoria da União Nacional dos Estudantes, que irá dirigir a entidade até 2011. Diante de violento ataque dos setores conservadores da sociedade, sobretudo através da grande mídia, a direção majoritária levou para dentro do Congresso Nacional a posse desta entidade que tem a cara das ruas.

 

O objetivo era mostrar ao Brasil que a UNE não é vendida e agrega diversos setores da sociedade. Por este motivo a solenidade contou com a presença de muitos deputados e senadores dos mais diversos partidos.

 

É evidente que a UNE vem perdendo espaço e legitimidade nos últimos anos, isso é fruto de seu afastamento da base, da relação sem independência com o governo e da falta de grandes mobilizações que façam avançar a pauta educacional do Brasil. Todas as ultimas políticas para o ensino superior brasileiro, PROUNI, REUNI, NOVO ENEM, foram colocadas pelo governo, sem participação da entidade nas suas elaborações, o que demonstra o papel reativo da UNE.

 

Mas a ninguém interessa ter uma UNE com crise de legitimidade, por isso, a hora agora é de ir as ruas, por isso o ato de posse deveria ter sido um grande movimento de massas nas ruas. A UNE precisa ter fôlego e tocar com o protagonismo que possui as principais lutas no Brasil neste próximo período, e não serão poucas.

 

Enfrentar os poderosos monopólios dos meios de comunicação na conferencia nacional sobre o tema é primordial pra UNE. Defender a democratização dos meios de comunicação, a criação e fortalecimento das mídias públicas e popular, quebrar o monopólio e estimular a criação de rádios, TV’s, jornais comunitários. Defender uma mídia a serviço da sociedade.

 

Fazer um amplo e incisivo debate dentro das conferencias de educação sobre um modelo de educação emancipadora e menos alienante. Defender as posições históricas da entidade sobre o ensino superior. Fazer isso, na prática, significa levara para o debate na conferência o projeto de reforma universitária aprovado no CONEB em Salvador. Fazer isso significa também, agir para que esse projeto possa ser debatido em cada universidade, significa dar subsídio pro estudante na base para conhecê-lo e defendê-lo com convicção nos tantos embates que virão.

 

Fazer um amplo debate sobre os diversos preconceitos existentes. A nossa universidade nunca será democrática e popular enquanto for racista, machista, sexista e homofóbica. É tarefa da UNE fortalecer a luta desses importantes setores da sociedade por uma universidade livre de preconceitos.

 

Participar com ênfase de grandes lutas nacionais, como a redução da jornada de trabalho, contra a redução da maioridade penal, pela aprovação do plano nacional de juventude. A UNE precisa enfrentar com muita mobilização aqueles que querem limitar o nosso direito histórico a meia-entrada.

 

Por fim, a UNE precisa ter lado em 2010. É por ser independente que a UNE pode dizer para toda a sociedade qual projeto defende pro Brasil, e não pode ter um milímetro de dúvida na entidade que esse projeto será defendido pela companheira Dilma no ano que vem. A disputa eleitoral de 2010 não diz respeito apenas a uma batalha entre a direita e a esquerda por quatro anos de mandato, diz respeito ao começo de uma hegemonia política da esquerda no nosso País. A UNE precisa estar nas ruas também pra defender esse projeto.

 

Esses serão os desafios colocados para a UNE no próximo período. Os desafios da UNE são também da reconquistar a UNE. E nos cabe tocar todas essas demandas com o objetivo de fortalecer a UNE, disputar os rumos da sociedade, e conquistar cada vez mais estudantes pra nossas fileiras.

 

A seguir, os/a companheiros/a que estarão na diretoria da UNE pela Reconquistar a UNE nesta próxima gestão.

 

Tássio Brito – Teve sua militância estudantil iniciada na UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz, em ilhéus na Bahia. Foi por duas vezes diretor do Centro Academico do curso de comunicação social. Foi por duas vezes coordenador do Diretório Central dos Estudantes da Universidade. É membro da direção nacional da JPT e da CNJAE. Foi 2 diretor de RI na ultima gestão da UNE e agora assume a 3ª vice presidência da entidade.

 

Rídina Motta - Diretora do Centro Acadêmico de Direito da UFAL, durante 2002/2007. Coordenação Política da Federação Nacional dos Estudantes de Direito 2004/2006. Coordenadora de Finanças do DCE da Universidade Federal de Alagoas na Gestão 2006/2007. Secretaria de Juventude do PT de Maceió – AL. Diretora do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de Alagoas. Graduada em Direito pela Universidade Federal de Alagoas. Estudante de História do Centro de Estudos Superiores de Maceió. Membro da Coordenação Estadual de Juventude da AE Alagoas e da Direção Estadual da AE Alagoas. Agora assume a 1ª diretoria LGBT da UNE.

 

Pedro Silveira - “Pedrinho” - milita no movimento estudantil de Santa Maria, integrou a diretoria da CEUII da UFSM, participa nacionalmente do Movimento de Casas, integra o NARUA, Núcleo de Apoio a Reforma Agrária e Urbana (antigo NARA) da UFSM e participou de duas gestões do DCE da UFSM pela Reconquistar a UNE. Agora assume a 1ª diretoria de movimentos sociais da UNE.

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