De13 a17 de Julho, na cidade de Goiânia-GO, ocorreu o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes – CONUNE. Com a disposição de debater os principais temas que hoje estão na pauta do movimento estudantil nacional, mais de 7 mil estudantes de todo o país compareceram ao congresso.
A Reconquistar a UNE é uma tese para o Congresso da UNE impulsionada pela Juventude da Articulação de Esquerda – corrente interna da esquerda do PT – e por centenas de jovens que compartilham dos mesmos princípios de um movimento estudantil autônomo em relação à governos e reitorias, democrático e de lutas. Neste 52º CONUNE nos reafirmamos como um alternativa tanto ao imobilismo do campo majoritário da UNE, quanto às inconseqüências dos setores que confundem o papel do movimento com o papel do partido e se organizam, sobretudo para fazer oposição ao Governo Federal.
Somos, portanto, aqueles que querem empurrar o movimento para frente, em torno das pautas que agregam os estudantes para organizar as lutas desde as universidades. Entendemos que é papel da UNE pressionar os governos por direitos e propor um projeto de universidade democrática e popular junto ás e aos estudantes. Defendemos uma UNE de lutas, enraizada nas universidades, voz e vez dos estudantes do Brasil.
Como uma tese de oposição à direção majoritária, a JAE/Reconquistar a UNE caminha num sentido muito claro: Construir no conjunto das universidades brasileiras um movimento estudantil democrático e de lutas que seja uma alternativa de direção para a UNE. O 52º CONUNE, infelizmente, não ofereceu as condições para que os grandes debates acontecessem. O condomínio do campo majoritário, mesmo com ampla maioria dos delegados, não se preocupou em garantir a realização das mesas e espaços de discussão.
Para garantir o debate, a JAE/Reconquistar a UNE realizou debates internos, onde os diversos Estados tiveram a oportunidade de dialogar; conhecer a realidade das Universidades brasileiras em que militantes da JAE estão presentes; pôr em discussão os temas que estão na pauta do dia, como a legalização do aborto, descriminalização da maconha, criação da cartilha contra a homofobia e os prejuízos do novo código florestal.
Mas além dos debates internos, fundamentais para garantir ao conjunto dos participantes o conhecimento das bandeiras que a JAE/Reconquistar defende, também fomos às ruas. Realizamos uma imensa marcha finalizada com um grande ato contra as mudanças no código florestal. Gritamos para que toda a Goiânia ouvisse que somos contra a proposta da bancada ruralista, relatada por Aldo Rebelo (PCdoB), que anistia desmatadores e garante a hegemonia do agronegócio e do capital financeiro em detrimento da agricultura familiar.
Marcamos presença também na Marcha da Maconha, defendendo uma nova política nacional de drogas, que não seja marcada pela extrema violência policial e pelo extermínio da população jovem, pobre e negra, decorrente da atual política de combate ao tráfico.
Sem dúvida alguma, os estudantes que foram ao CONUNE e tiveram contato com a militância e a tese da JAE/Reconquistar a UNE sabem reconhecer nossa política. Fomos firmes na defesa de nossas idéias e no combate as práticas que a UJS/PCdoB reproduzem junto a seus aliados na direção da UNE. Votamos e apresentamos resoluções próprias sobre Educação, Conjuntura e Movimento Estudantil , sem fazer nenhuma concessão.
Não caímos no discurso do adesismo governista, nem nas incoerências do esquerdismo. São três os motivos centrais que nos levam a esta opinião: 1) cabe aos movimentos sociais lutar autônoma e afirmativamente por suas reivindicações, e não construir sua intervenção centralmente com base na avaliação das correções ou equívocos de governos; 2) a melhor maneira de garantir a consolidação dos avanços até agora conquistados é fortalecer a ofensiva em torno de um programa popular e democrático; 3) a superação da atual correlação de forças não passa pela derrota do governo federal e do campo de esquerda que o apóia, mas pelo combate aos setores conservadores e reacionários que estão dentro e fora do governo.
Por isto, reafirmamos o socialismo como nosso objetivo estratégico e a importância da UNE como instrumento de todos os estudantes que deve estar a serviço das transformações do país. Sem esquecer do compromisso estratégico com os setores que construíram o Partido dos Trabalhadores e os setores populares que disputam, pela esquerda, a hegemonia da sociedade.
No que depender de nós, o próximo período será marcado por intensas mobilizações e disputas. A JAE/Reconquistar a UNE está pronta para ir às ruas, ocupar as reitorias e DCE’s, fazer a luta junto, lado a lado, com cada estudante brasileiro, na defesa permanente de uma Universidade Pública, Democrática e Popular. Todavia, o cenário político resultante do Congresso da UNE, aponta para um horizonte sem mudanças estruturais na entidade. O condomínio do campo majoritário foi reforçado pela entrada de novas organizações e ao mesmo tempo se mantém a divisão dos blocos de oposição. Desta maneira, a disputa pelos rumos da UNE no próximo período volta a ser travada na outra arena, a base do movimento estudantil.
Nesta arena a Reconquistar a UNE tem obtido um saldo positivo. Obtivemos vitórias importantes no decorrer do último período, que garantiram nossa intervenção/participação em diversas lutas por todo o Brasil. Este crescimento significativo é resultado do esforço que o conjunto da Juventude da Articulação de Esquerda faz pelo movimento estudantil, mas principalmente, pela referência que a política da JAE construiu ao longo de sua história.
Está linha política historicamente defendida pela Reconquistar foi oxigenada com o I Congresso Nacional da Articulação de Esquerda. Com a realização dos debates, os e as militantes da AE aprofundaram o programa da corrente, estabeleceram as diretrizes para o próximo período e definiram uma agenda positiva para a juventude. Nesta agenda, a Reconquistar a UNE desempenha um papel fundamental, sendo o principal meio de diálogo e ação da AE com o conjunto da juventude universitária.
Este manifesto traduz, em linhas gerais, o tom e o nível de compromisso e responsabilidade que possuímos com o movimento estudantil. Mas principalmente, vem para reafirmar que ao longo do próximo período, A Reconquistar a UNE manterá seus objetivos estratégicos e a defesa permanente de sua história.
Assim estaremos fortes na luta pelos 10 % do PIB para educação; por um Plano Nacional de Educação que esteja a serviço da classe trabalhadora brasileira; por uma verdadeira política de assistência que seja tratada enquanto direito, e não “favor”; pela educação integral onde a extensão é a base do tripé das universidades. Não serão aqueles setores dos acordões com os governos e reitorias, nem aqueles mais preocupados com a auto-construção dos seus partidos que elevarão o tom das lutas estudantis pela democratização das universidades, por acesso e permanência para tod@s, por mais direitos estudantis, pela defesa das cotas raciais, no combate às opressões gênero, raça, etnia, sexualidade e pela legalização da maconha.
A boa luta nos espera, tomaremos conta das universidades brasileiras!