Revolução Pedagógica

Da Tese Coletiva: Reconquistar a UNE

Por uma Formação Integral: Ensino, Pesquisa e Extensão para a Transformação Social
Hoje, mais do que nunca, faze-se necessário repensar os métodos de ensino e o modelo de formação a que somos colocados em nossas universidades. O projeto de Reforma Universitária defendido pelo movimento estudantil deve ir além de melhorias físicas em nossas instituições. É preciso também uma profunda mudança na forma como o conhecimento é produzido e disseminado, alterando a própria organização acadêmica das instituições de ensino.
Cotidianamente somos submetidos a um modelo pedagógico tradicional, pautado numa concepção que vê no estudante uma “vasilha vazia” e que cabe ao professor preenchê-la de conteúdos. Esta educação retórica e ‘bancária’, baseia-se na transmissão verticalizada de técnicas e conteúdos, ao invés da construção coletiva do conhecimento.
A verdade é que os estudantes não agüentam mais esta velha forma de ensinar/aprender reproduzida em nossas escolas e universidades. As grandes expectativas que temos ao entrar na universidade em relação a outros espaços de aprendizagem são logo frustradas pelo velho ‘modelão’ de ensino. Não é possível suportar mais a enganação de estudantes que fingem aprender e professores que fingem ensinar. E se fosse abolida a freqüência obrigatória nas aulas?? Muitas vezes os estudantes preferem estudar em casa, em outro local da universidade ou procurar alternativas, pois não encontram respostas e ânimo para permanecer na sala de aula.

O abandono dos estudos e a repetência são, em muitos momentos, sintomas da insatisfação dos jovens em relação à universidade. Métodos obsoletos de ensino-aprendizagem, avaliações orientadas para a memorização e a própria relação hierárquica que é estabelecida entre estudante e professor explicam porque, em grande medida, “não somos nós que matamos aula, é a aula que nos mata”.

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Manifesto da RECONQUISTAR A UNE

 

De13 a17 de Julho, na cidade de Goiânia-GO, ocorreu o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes – CONUNE. Com a disposição de debater os principais temas que hoje estão na pauta do movimento estudantil nacional, mais de 7 mil estudantes de todo o país compareceram ao congresso.

A Reconquistar a UNE é uma tese para o Congresso da UNE impulsionada pela Juventude da Articulação de Esquerda – corrente interna da esquerda do PT – e por centenas de jovens que compartilham dos mesmos princípios de um movimento estudantil autônomo em relação à governos e reitorias, democrático e de lutas. Neste 52º CONUNE nos reafirmamos como um alternativa tanto ao imobilismo do campo majoritário da UNE, quanto às inconseqüências dos setores que confundem o papel do movimento com o papel do partido e se organizam, sobretudo para fazer oposição ao  Governo Federal.

Somos, portanto, aqueles que querem empurrar o movimento para frente, em torno das pautas que agregam os estudantes para organizar as lutas desde as universidades. Entendemos que é papel da UNE pressionar os governos por direitos e propor um projeto de universidade democrática e popular junto ás e aos estudantes. Defendemos uma UNE de lutas, enraizada nas universidades, voz e vez dos estudantes do Brasil.

Como uma tese de oposição à direção majoritária, a JAE/Reconquistar a UNE caminha num sentido muito claro: Construir no conjunto das universidades brasileiras um movimento estudantil democrático e de lutas que seja uma alternativa de direção para a UNE. O 52º CONUNE, infelizmente, não ofereceu as condições para que os grandes debates acontecessem. O condomínio do campo majoritário, mesmo com ampla maioria dos delegados, não se preocupou em garantir a realização das mesas e espaços de discussão.

Para garantir o debate, a JAE/Reconquistar a UNE realizou debates internos, onde os diversos Estados tiveram a oportunidade de dialogar; conhecer a realidade das Universidades brasileiras em que militantes da JAE estão presentes; pôr em discussão os temas que estão na pauta do dia, como a legalização do aborto, descriminalização da maconha, criação da cartilha contra a homofobia e os prejuízos do novo código florestal.

Mas além dos debates internos, fundamentais para garantir ao conjunto dos participantes o conhecimento das bandeiras que a JAE/Reconquistar defende, também fomos às ruas. Realizamos uma imensa marcha finalizada com um grande ato contra as mudanças no código florestal. Gritamos para que toda a Goiânia ouvisse que somos contra a proposta da bancada ruralista, relatada por Aldo Rebelo (PCdoB), que anistia desmatadores e garante a hegemonia do agronegócio e do capital financeiro em detrimento da agricultura familiar.

Marcamos presença também na Marcha da Maconha, defendendo uma nova política nacional de drogas, que não seja marcada pela extrema violência policial e pelo extermínio da população jovem, pobre e negra, decorrente da atual política de combate ao tráfico.

Sem dúvida alguma, os estudantes que foram ao CONUNE e tiveram contato com a militância e a tese da JAE/Reconquistar a UNE sabem reconhecer nossa política. Fomos firmes na defesa de nossas idéias e no combate as práticas que a UJS/PCdoB reproduzem junto a seus aliados na direção da UNE. Votamos e apresentamos resoluções próprias sobre Educação, Conjuntura e Movimento Estudantil , sem fazer nenhuma concessão.

Não caímos no discurso do adesismo governista, nem nas incoerências do esquerdismo. São três os motivos centrais que nos levam a esta opinião: 1) cabe aos movimentos sociais lutar autônoma e afirmativamente por suas reivindicações, e não construir sua intervenção centralmente com base na avaliação das correções ou equívocos de governos; 2) a melhor maneira de garantir a consolidação dos avanços até agora conquistados é fortalecer a ofensiva em torno de um programa popular e democrático; 3) a superação da atual correlação de forças não passa pela derrota do governo federal e do campo de esquerda que o apóia, mas pelo combate aos setores conservadores e reacionários que estão dentro e fora do governo.

Por isto, reafirmamos o socialismo como nosso objetivo estratégico e a importância da UNE como instrumento de todos os estudantes que deve estar a serviço das transformações do país. Sem esquecer do compromisso estratégico com os setores que construíram o Partido dos Trabalhadores e os setores populares que disputam, pela esquerda, a hegemonia da sociedade.

No que depender de nós, o próximo período será marcado por intensas mobilizações e disputas. A JAE/Reconquistar a UNE está pronta para ir às ruas, ocupar as reitorias e DCE’s, fazer a luta junto, lado a lado, com cada estudante brasileiro, na defesa permanente de uma Universidade Pública, Democrática e Popular. Todavia, o cenário político resultante do Congresso da UNE, aponta para um horizonte sem mudanças estruturais na entidade. O condomínio do campo majoritário foi reforçado pela entrada de novas organizações e ao mesmo tempo se mantém a divisão dos blocos de oposição. Desta maneira, a disputa pelos rumos da UNE no próximo período volta a ser travada na outra arena, a base do movimento estudantil.

Nesta arena a Reconquistar a UNE tem obtido um saldo positivo. Obtivemos vitórias importantes no decorrer do último período, que garantiram nossa intervenção/participação em diversas lutas por todo o Brasil. Este crescimento significativo é resultado do esforço que o conjunto da Juventude da Articulação de Esquerda faz pelo movimento estudantil, mas principalmente, pela referência que a política da JAE construiu ao longo de sua história.

Está linha política historicamente defendida pela Reconquistar foi oxigenada com o I Congresso Nacional da Articulação de Esquerda. Com a realização dos debates, os e as militantes da AE aprofundaram o programa da corrente, estabeleceram as diretrizes para o próximo período e definiram uma agenda positiva para a juventude. Nesta agenda, a Reconquistar a UNE desempenha um papel fundamental, sendo o principal meio de diálogo e ação da AE com o conjunto da juventude universitária.

Este manifesto traduz, em linhas gerais, o tom e o nível de compromisso e responsabilidade que possuímos com o movimento estudantil. Mas principalmente, vem para reafirmar que ao longo do próximo período, A Reconquistar a UNE manterá seus objetivos estratégicos e a defesa permanente de sua história.

Assim estaremos fortes na luta pelos 10 % do PIB para educação; por um Plano Nacional de Educação que esteja a serviço da classe trabalhadora brasileira; por uma verdadeira política de assistência que seja tratada enquanto direito, e não “favor”; pela educação integral onde a extensão é a base do tripé das universidades. Não serão aqueles setores dos acordões com os governos e reitorias, nem aqueles mais preocupados com a auto-construção dos seus partidos que elevarão o tom das lutas estudantis pela democratização das universidades, por acesso e permanência para tod@s, por mais direitos estudantis, pela defesa das cotas raciais, no combate às opressões gênero, raça, etnia, sexualidade e pela legalização da maconha.

A boa luta nos espera, tomaremos conta das universidades brasileiras!

Reconquistar a UNE lança Rede LEGALIZA e participa da Marcha da Maconha em Goiânia

 

Cerca de duas mil pessoas participaram do ato no 52º Congresso da UNE

 Buscando uma articulação nacional no movimento estudantil dos coletivos que debatem as políticas sobre drogas hoje no Brasil e/ou organizam as edições da Marcha da Maconha, a Reconquistar a UNE lançou no 52º Congresso da UNE a Rede LEGALIZA.

A intenção da Rede é articular os coletivos para qualificar a intervenção da RECONQUISTAR no debate da política sobre drogas no país  e reforçar a luta anti-proibicionista nos estados. A Rede LEGALIZA foi aprovada na reunião setorial que aconteceu no último dia 15, em Goiânia.

Membros da RECONQUISTAR que participam dos coletivos Ganja Livre (BA), Cannabis Ativa (RN) e Coletivo Verde (RS) participam da rede.

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